LO TEDHAL Centro de Terapia da dor e Cuidados Paliativos

História dos CUIDADOS PALIATIVOS - O conceito de hóspice
 

 

          Através da história, o cuidado com as pessoas que estão com doença avançada sem possibilidade de cura tem sido uma constante no decurso da sociedade humana. Ashoka foi o nome de um imperador que governou a Índia durante o século III a.C. e é lembrado como um dos maiores inovadores sociais do mundo. Depois de uma guerra pela unificação do país, Ashoka renunciou à violência e dedicou sua vida à promoção do bem estar social dos enfermos, da justiça econômica e da tolerância.

 O imperador Ashoka instituiu serviços de saúde, lançou um amplo programa de abertura de poços, construiu alojamentos para viajantes e plantou milhares de árvores para fazer sombra nas estradas quentes e poeirentas da Índia. Seus éditos gravados em pilares de pedra em todo o império, testemunham sua fé na ética com guia para a ação pública. Estabeleceu um refúgio em Varanasi, próximo ao Rio Ganges, onde peregrinos iam até o local para morrer, sabendo que suas cinzas seriam espalhadas no rio sagrado para auxiliar suas almas.

Na Índia ainda hoje existem os chamados muktibhavanas para as quais são levados aqueles que estão sofrendo e que pararam de comer ou beber. A maioria morre dentro da primeira semana e os sacerdotes acodem suas necessidades espirituais.

Pequenas porções de tulsi, uma planta sagrada, são preparadas e oferecidas aos moribundos junto com a água do Rio Ganges. A morte ocorre de forma natural, previsível e respeitosa, sem exsudações pelos orifícios naturais e com tranqüilidade, dignidade e pouca dor ou sofrimento.
Xenodoquio, "um lugar para receber o forasteiro" (xenos) também foi mencionado no Novo Testamento (Mateus 25,35): "Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede, e destes-me de beber, era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu e vestistes-me; adoeci e visitastes-me".

Na cultura ocidental, o conceito específico de ter um lugar para acolher um enfermo, cuidá-lo e dar-lhe dignidade (hospice), surgiu durante a Idade Média, quando foram construídas "casas de hóspedes" nas margens das estradas para cuidar dos peregrinos e viajantes, que adoeciam ao longo do caminho, como o de Santiago de Compostela. No século dezesseis, São João de Deus convenceu os doentes a confessarem seus pecados "pois uma vez que a alma está nos males do pecado, através da confissão, medicamento poderoso, a saúde retornará ao corpo".

Além de cuidar do corpo, a preocupação principal na época era oferecer cuidado espiritual.

Fazendo parte desta jornada histórica, vamos encontrar outras personagens extraordinários como Fabíola (séc IV), romana que criou abrigos para acolher enfermos e famintos, Jeanne Garnier fundadora em 1842 do que é hoje o maior hospice da Europa, as Irmãs Irlandesas da Caridade (1805) na Grã-Bretanha, e St. Luke´s Home (1893), fundado por um médico.

Essa prática de criar instituições de caridade para abrigar e cuidar de doentes em fase terminal se propagou na Europa do século XVII e XVIII mas somente a partir do século XIX foram incorporadas para dentro de determinados hospitais, criando-se enfermarias especiais para cuidar deste tipo de enfermo.

Entre 1948 e 1955 em Londres, Dama Cicely Saunders assistente social, depois enfermeira e posteriormente médica, inconformada com o sofrimento vivido por pacientes portadores de enfermidades avançadas, com dores intensas, recebe o apoio de um dos seus pacientes, David Tasma, portador de um câncer em fase terminal, para fundar uma instituição a fim de atender às necessidades reais desses enfermos.

Ali, Cicely Saunders começa a amadurecer seu projeto que nortearia a criação dos hóspices modernos. Resgata um conceito de cuidar com humanização e cria uma atitude na Medicina visando oferecer aos doentes, conforto, qualidade de vida, alívio da dor global (física, psicológica e espiritual), procurando fazer tudo quando se pensa que não há mais nada a fazer. Surgem então os Cuidados Paliativos.


"Nós não podemos curar você, mas continuaremos a cuidar de você!"

(Cicely Saunders)


Unindo os valores humanitários do passado somado aos conhecimentos atuais da medicina moderna, Dama Cicely Saunders não só inicia a prática dos cuidados paliativos mas funda, em 1967, o St. Christhoper Hospice, de onde se propagaram os cuidados paliativos para outros países da Europa e por diferentes continentes.

A Organização Mundial da Saúde, publicou a sua primeira definição de Cuidados Paliativos em 1986 e hoje, coloca a Medicina Paliativa no mesmo plano de prioridade que a Medicina Preventiva e a Curativa.
Atualmente, define cuidados paliativos como:

"Cuidado Paliativo é a abordagem que promove qualidade de vida de paciente e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Requer a identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e outros problemas de natureza física, psico social e espiritual".
(OMS - 2002)

Hoje, só na Inglaterra, que tem o tamanho do Estado de São Paulo, existem cerca de 470 hóspices e nos Estados Unidos o número ultrapassa 5000.

No Brasil já podemos contar com vários serviços de atendimento em Cuidados Paliativos em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Florianópolis, Bahia, etc. Os atendimentos são realizados a nível de ambulatórios, enfermarias e domiciliar.

O Centro de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos LO TEDHAL, é o primeiro hóspice no Brasil, ou seja, um local construindo especialmente para os enfermos em fase terminal e suas famílias, com instalações voltadas para às suas reais necessidades.

É uma opção intermediária entre o hospital e a casa do doente. Uma possibilidade de permanecer, se necessário, em um centro de cuidados especiais porém mais caloroso e menos tecnológico que um hospital e com mais condições de atendimento por uma equipe especializada que não está plenamente disponível no domicílio.

Estes enfermos permanecem geralmente no hóspice para controle de intercorrências que possam acontecer ao longo da evolução da doença como dor não controlada, sangramentos, vômitos, falta de ar, etc, voltando para as suas casas sempre que o desejarem.
 

Centro de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos LO TEDHAL:
Rua Alexandre de Gusmão, 80 - Jardim Santa Genebra - CAMPINAS/SP - Brasil
Telefones/Fax: + 55 19 3242-3211 / 3242-8810 / 3243-0447

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